Muitos agricultores colombianos que haviam abandonado o cultivo de coca estão retomando a atividade após relatarem que o apoio prometido pelo governo nunca chegou ou foi insuficiente.
Criado em 2017, após o acordo de paz com as FARC, o Programa Nacional Integral de Substituição de Cultivos Ilícitos (PNIS) previa assistência financeira, apoio técnico e incentivo à produção de culturas legais em troca da erradicação das plantações de coca.
Na prática, porém, atrasos nos pagamentos, falta de infraestrutura, dificuldades para comercializar produtos agrícolas e mudanças nas prioridades dos governos enfraqueceram a iniciativa. Sem alternativas econômicas viáveis, muitos produtores voltaram a cultivar coca, principal matéria-prima da cocaína.
Hoje, a Colômbia registra níveis recordes de plantio, com mais de 250 mil hectares de coca. O país é responsável por cerca de 70% da oferta mundial de cocaína.
Especialistas afirmam que o cultivo continua atraente por oferecer colheitas frequentes, compradores garantidos e renda previsível — vantagens que outras culturas ainda não conseguem oferecer em muitas regiões rurais.
O governo colombiano aposta agora no programa RenHacemos, que pretende ir além da simples substituição da planta. A proposta inclui investimentos em infraestrutura, educação, conectividade e desenvolvimento econômico local para reduzir a dependência da coca.
Apesar da nova estratégia, analistas alertam que a forte demanda internacional por cocaína, a presença de grupos armados e a fragilidade da atuação do Estado continuam sendo obstáculos para uma redução duradoura da produção.
