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Excesso de cautela com defeso eleitoral gera apagão de dados públicos que compromete acesso à informação

Aviso usado nas páginas do governo federal bloqueadas em função do defeso: fenômeno causado por cautela excessiva com legislação eleitoral prejudica desnecessariamente quem trabalha com pesquisa de dados públicos. Reprodução…

Excesso de cautela com defeso eleitoral gera apagão de dados públicos que compromete acesso à informação

Notícias sobre desmatamento, mortalidade infantil, pesquisas do Inpe e outros conteúdos oficiais desapareceram temporariamente da internet durante o período de defeso eleitoral de 2026. A retirada não foi provocada por falhas técnicas, mas por uma interpretação cautelosa da legislação que proíbe publicidade institucional nos três meses anteriores às eleições.

Desde 4 de julho, diversos órgãos públicos restringiram o acesso a portais, notícias e bases de dados para evitar possíveis questionamentos da Justiça Eleitoral. Entre os casos estão páginas do Ibama, Inpe, Arquivo Nacional e da plataforma Brasil Participativo. A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) também chegou a retirar cerca de 146 mil reportagens do ar.

Especialistas ouvidos no artigo afirmam que a medida representa um excesso de cautela. Segundo eles, a legislação busca impedir o uso da máquina pública para promoção de candidatos, mas não determina a remoção de dados técnicos, científicos ou de interesse público.

A avaliação é que informações como estatísticas ambientais, boletins epidemiológicos e relatórios oficiais não configuram publicidade institucional por si só. O problema estaria apenas em conteúdos com caráter promocional, como slogans, marcas de governo ou mensagens de autopromoção.

O texto destaca que esse entendimento excessivamente restritivo gera um “apagão de dados”, prejudicando pesquisadores, jornalistas, gestores públicos e cidadãos que dependem dessas informações para estudos, formulação de políticas públicas e fiscalização da administração.

Além disso, especialistas apontam que a retirada de conteúdos pode entrar em conflito com a Lei de Acesso à Informação, que estabelece a publicidade como regra, e com outros dispositivos legais que obrigam a divulgação permanente de dados públicos.

Entre as soluções sugeridas estão o reforço das normas da Justiça Eleitoral para deixar explícita a manutenção de conteúdos técnicos durante o período eleitoral, maior fiscalização sobre a retirada indevida de informações e a separação, nos sites oficiais, entre conteúdo institucional de caráter promocional e bases permanentes de dados e serviços públicos.

Para os autores, a legislação eleitoral deve impedir o uso político da estrutura pública, mas não comprometer o acesso da sociedade às informações produzidas pelo Estado.