O novo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve levar empresas a buscar novos mercados para reduzir a dependência do consumidor americano. Apesar de a China ser o principal destino das exportações do Brasil, especialistas avaliam que o país asiático dificilmente conseguirá absorver, no curto prazo, a parcela das vendas afetadas pelas tarifas.
Em 2025, o Brasil exportou quase US$ 100 bilhões para a China, mais que o dobro dos cerca de US$ 38 bilhões destinados aos Estados Unidos. Apenas no primeiro semestre de 2026, as vendas ao mercado chinês somaram US$ 58,3 bilhões, impulsionadas principalmente por commodities.
Ainda assim, a estrutura das exportações limita uma substituição rápida. Enquanto os EUA compram do Brasil produtos industrializados, como aeronaves, máquinas e equipamentos, a China concentra suas importações em soja, minério de ferro, petróleo e carnes, que representam quase 90% da pauta brasileira.
Segundo especialistas, empresas que exportam manufaturados para os EUA dificilmente encontrarão demanda equivalente no mercado chinês, que já possui forte produção doméstica desses bens.
Além disso, a China mantém restrições para diversos produtos brasileiros, incluindo cotas de importação para carne bovina, exigências sanitárias e tarifas que variam conforme o setor. Como Brasil e China não possuem acordo de livre comércio, produtos industrializados seguem sujeitos a impostos de importação.
Outro fator de atenção é o ritmo da economia chinesa. O país registrou crescimento de 4,3% no segundo trimestre de 2026, abaixo da meta oficial, em meio à crise no setor imobiliário e ao enfraquecimento do consumo interno.
Apesar das limitações, especialistas apontam oportunidades ligadas à nova estratégia econômica chinesa, voltada para setores como inteligência artificial, veículos elétricos, biotecnologia e transição energética. Esse movimento pode ampliar a demanda por minerais críticos produzidos pelo Brasil, como níquel, cobre, grafite e terras raras.
Na avaliação dos analistas, o principal efeito do tarifaço deve ser acelerar a diversificação dos mercados de exportação brasileiros, com maior busca por acordos comerciais e novos parceiros, reduzindo a dependência tanto dos Estados Unidos quanto da própria China.
