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'Aprofundamento da ruptura antes das eleições' e 'altos riscos': como a imprensa internacional noticiou tarifa de 25% dos EUA contra o Brasil

Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros A imprensa internacional destacou a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre uma série de produtos…

'Aprofundamento da ruptura antes das eleições' e 'altos riscos': como a imprensa internacional noticiou tarifa de 25% dos EUA contra o Brasil

A decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros repercutiu amplamente na imprensa internacional. O pacote, anunciado após o encerramento da investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), entra em vigor em 22 de julho e foi justificado por Washington com críticas ao Pix, ao mercado de etanol, à proteção da propriedade intelectual, ao combate à corrupção e a questões ambientais.

O Financial Times classificou a medida como mais um capítulo do agravamento das relações entre Brasil e Estados Unidos às vésperas das eleições presidenciais brasileiras. Segundo o jornal, autoridades americanas afirmam que tentam negociar com o governo brasileiro há mais de um ano, enquanto Brasília vê as justificativas como motivadas principalmente por interesses políticos. A publicação também destaca o temor de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a escalada das tensões possa influenciar o cenário eleitoral.

O The New York Times ressaltou que a tarifa tende a ganhar peso no debate político brasileiro. O jornal lembrou as acusações do governo Lula de que o senador Flávio Bolsonaro teria defendido a taxação durante encontros com integrantes da Casa Branca — versão negada pelo parlamentar. A reportagem observa ainda que o confronto diplomático com Donald Trump acabou fortalecendo politicamente Lula, que classificou as medidas como um ataque à soberania brasileira.

A CNN destacou que o USTR concluiu que políticas brasileiras prejudicam interesses econômicos dos Estados Unidos em áreas como comércio digital, tarifas, mercado de etanol e outras práticas comerciais. A emissora também chamou atenção para a lista de exceções ao tarifaço, que inclui produtos considerados estratégicos para as cadeias produtivas americanas, como café, carne bovina, laranja, suco de laranja, determinados produtos derivados do etanol e componentes da indústria aeroespacial.

Já o The Guardian enfatizou a base jurídica utilizada pela Casa Branca para aplicar as tarifas, lembrando que a medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O jornal recorda que parte das tarifas impostas anteriormente por Donald Trump foi contestada pela Suprema Corte dos EUA e observa que, apesar da atual deterioração das relações, os dois governos chegaram a sinalizar uma aproximação diplomática meses atrás.

A Bloomberg avaliou que os riscos econômicos são elevados para ambos os países. A agência destaca que os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil e um dos poucos mercados relevantes nos quais o país registra déficit comercial. Segundo a reportagem, apesar do endurecimento das medidas, representantes dos dois governos continuam tentando negociar uma solução diplomática, embora Brasília tenha descartado concessões consideradas incompatíveis com sua legislação ou sua política econômica, como mudanças no funcionamento do Pix.