O transporte passou a ocupar um espaço muito maior no orçamento das famílias brasileiras em 2026. É o que mostra a 13ª edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho da Sondagem do Mercado de Trabalho do FGV Ibre, divulgada nesta terça-feira (14).
Segundo a pesquisa, alimentação, contas de serviços públicos e aluguel ou financiamento da moradia continuam sendo as despesas que mais comprometem a renda dos brasileiros. No entanto, o transporte foi o item que registrou o maior crescimento em relação ao mesmo período do ano passado.
Entre os entrevistados que citaram o transporte como uma das três principais despesas do mês, o percentual saltou de 2% em junho de 2025 para 27,6% em junho de 2026, um aumento de 25,6 pontos percentuais.
De acordo com Rodolpho Tobler, superintendente adjunto do FGV Ibre, a alta está diretamente ligada ao aumento dos custos de deslocamento, principalmente dos combustíveis.
Segundo o pesquisador, a escalada dos conflitos no Oriente Médio elevou as incertezas no mercado internacional de petróleo, pressionando os preços dos combustíveis e, consequentemente, do transporte individual e coletivo.
Para Gustavo Assis, CEO da Asset Wealth Management, o movimento acompanha o comportamento da inflação. Segundo ele, o grupo de transportes do IPCA permanece entre os mais voláteis, influenciado pelos combustíveis, tarifas do transporte público e custos dos veículos.
Famílias sentem dificuldade para fechar as contas
Apesar de 69,1% dos entrevistados afirmarem que conseguiram pagar as contas essenciais nos últimos três meses, esse percentual vem caindo desde fevereiro, quando era de 72,4%.
Na avaliação de Tobler, o resultado indica que o problema está menos relacionado à queda da renda e mais ao aumento dos custos que pressionam o orçamento doméstico.
Segundo ele, o mercado de trabalho segue relativamente estável, mas o encarecimento das despesas reduz a percepção de bem-estar financeiro das famílias.
Para André Matos, CEO da MA7 Negócios, os dados mostram que a maior parte do orçamento continua concentrada em gastos considerados indispensáveis, como alimentação, moradia e contas básicas.
Remuneração continua sendo principal motivo de insatisfação
A pesquisa também aponta queda na satisfação dos trabalhadores com seus empregos.
No trimestre encerrado em junho, 64% dos entrevistados disseram estar satisfeitos com o trabalho, abaixo dos 68% registrados em janeiro. Já a parcela dos insatisfeitos subiu de 5,7% para 6,9%.
A baixa remuneração aparece como o principal fator de insatisfação, sendo citada por 57,9% dos trabalhadores.
Além disso, 41% dos entrevistados consideram difícil conseguir um novo emprego no Brasil.
Segundo especialistas, o cenário combina um mercado de trabalho ainda aquecido com vínculos cada vez mais frágeis, especialmente entre trabalhadores informais e autônomos, que conseguem gerar renda com mais facilidade, mas contam com menor proteção financeira diante de uma eventual perda de rendimento.
